BNDES usa dinheiro do trabalhador em obra na República Dominicana, negócio considerado “muito ruim”

Reportagem do jornal “Estado de S.Paulo” deste domingo (31) revela: o BNDES financiou obra na República Dominicana utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com taxas de juros para lá de camaradas, em uma operação considerada “muito ruim” para o Brasil, de acordo com especialistas consultados pela publicação. Pelas simulações realizadas a pedido do “Estadão” por profissionais do mercado financeiro, o negócio com a República Dominicana é ruim primeiro porque o subsídio foi relevante – 13% do valor do empréstimo, sem que seja claro o ganho para o Brasil.

Em 2013, quando assinou com o BNDES, a República Dominicana fez captação de 10 anos pagando a taxa Libor mais 3,44%, mas o BNDES emprestou pela Libor mais 2,3%. Se usasse o próprio dinheiro, e não o do FAT, o banco teria prejuízo. Segundo o “Estadão”, em 2013, o banco fez uma captação em 10 anos, pagando Libor mais 2,77% – 0,47% acima da taxa do empréstimo. “É maluquice: o que estão fazendo lá?”, disse um dos executivos consultados pelo jornal.

Os detalhes da operação apenas foram revelados porque o contrato se tornou público ao ser divulgado no site do governo da República Dominicana. De acordo com o jornal, o BNDES se comprometeu a emprestar US$ 249,6 milhões (R$ 786 milhões, pela cotação atual) para o governo daquele país tocar as obras do Projeto Múltiplo Monte Grande, que conta com uma barragem para abastecimento de água e fornecimento de energia. A construtora é a Andrade Gutierrez. O BNDES, de sua parte, nunca divulgou quanto emprestou para as empreiteiras realizarem obras lá fora, nem em que condições ou a que taxas. O sigilo é questionado e gera polêmica. O senador Alvaro Dias há alguns anos vêm ter tentando obter informações sobre as condições oferecidas pelo BNDES nos contratos para obras com países estrangeiros e empreiteiras. O senador já recorreu à Lei de Acesso à Informação, a requerimentos de informações via Congresso e até mesmo ao Supremo Tribunal Federal para quebrar o sigilo das operações do banco, mas até agora não conseguiu furar o bloqueio imposto pelo governo Dilma para que não venha a público informações da caixa-preta do BNDES.

Para o economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, é um absurdo que o BNDES dê subsídio com sigilo e sem detalhar os ganhos por projeto. “Com dinheiro público, por princípio, deve haver transparência e boa gestão: o que não está claro no caso do BNDES”, afirmou o economista ao “Estadão”.

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Mais um vexame da diplomacia do governo Dilma: dívidas se acumulam, agora com o Parlamento do Mercosul

Além de todas as dívidas com órgãos da diplomacia mundial, como ONU, Unesco, OEA, o governo brasileiro agora também está devendo quase US$ 3 milhões ao Parlamento do Mercosul (Parlasul), órgão do qual o Brasil faz parte junto com 38 representantes. A informação foi divulgada pelo deputado Rocha (PSDB-AC), integrante titular da Representação Brasileira no Parlasul. O deputado disse ter recebido a informação do débito do Brasil com o órgão na manhã da última quinta-feira (28). Segundo comunicação que ele teria recebido, o Parlamento do Mercosul estaria em vias de fechar as portas, e entre os motivos está a divida do Brasil com o órgão.

Há dois meses foi divulgada pela imprensa a informação de que o governo brasileiro estaria devendo cerca de US$ 76,8 milhões para atividades regulares da ONU e outros US$ 87,37 milhões para operações de paz da entidade. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o governo Dilma também não pagou sua contribuição obrigatória à Organização dos Estados Americanos (OEA) no ano passado. Segundo relatório da entidade obtido pelo jornal, o governo pagou apenas US$ 1 milhão em 2014, em vez dos US$ 8,1 milhões que devia. E não só pagou como tampouco informou à OEA quando e se pretende pagar os US$ 10 milhões da cota de 2015. Outra matéria recente do jornal “O Estado de S. Paulo” também revelou que o Brasil perdeu direito a voto na Agência Internacional de Energia Atômica, depois de acumular uma dívida de US$ 35 milhões. Até hoje, os débitos não foram saldados.

“Prisões representam o fim de um império”, diz jornalista inglês que denunciou corrupção na Fifa

Em entrevista ao site UOL Esporte, o jornalista britânico Andrew Jennings afirma que o escândalo atual que envolve os principais dirigentes do mundo futebolístico representa o fim da Fifa, da forma como ela funciona atualmente como entidade. Para Jennings, o ex-presidente da entidade, João Havelange, foi o responsável por ter instalado o esquema de corrupção na Fifa, que se iniciou em 1974 e perdura até agora. “É o fim de um império. Todos os impérios caem. Foi assim com o britânico, com o francês. Até os portugueses tiveram de sair do Brasil. O império da Fifa terminou ontem”, disse Jennings.

O jornalista britânico é autor de vários livros sobre a corrupção na Fifa e em outras organizações esportivas, além de colaborador do FBI nas investigações que levaram à prisão de sete membros da Fifa, nesta quarta-feira (27). Jennings esteve no Brasil no ano passado, em audiência no Senado, a convite do senador Alvaro Dias, para falar sobre a corrupção no mundo do futebol. Na audiência, o jornalista falou sobre o seu livro “Um jogo cada vez mais sujo”, em que a FIFA e a CBF são o principal alvo de suas investigações. O repórter inglês afirmou, na ocasião, que a partir da leitura dos relatórios do senador Alvaro Dias, elaborados ao final das investigações da CPI do Futebol (finalizada em 2001), ficaram mais do que patentes os negócios ilegais que enriqueceram dirigentes da FIFA e da CBF, incluindo os brasileiros Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF e do Comitê Organizador Local) e João Havelange (ex-presidente da CBF e da FIFA). “Eu investiguei as propinas deles na Suíça a partir dos relatórios do Alvaro Dias, da CPI do Futebol. As investigações nos relatórios do senador provam que Teixeira é um grande ladrão”, afirmou Jennings.

Satisfeito com as prisões que aconteceram nesta semana, Jennings disse ao site Uol Esporte que tem a certeza de que escândalos ainda maiores virão à tona ao longo das próximas semanas, meses e anos, e que as prisões em Zurique são apenas a ponta do iceberg. Ele acredita que os nomes de Ricardo Teixeira e João Havelange aparecerão em breve nas investigações. “Apenas espere. É uma longa e abrangente investigação. Eles vão chegar ao nome do Teixeira. Espere. Há muito mais coisa vindo. Isso não termina hoje. Vão pegar o Teixeira. Mas se não o pegarem, os brasileiros deveriam prendê-lo por todos os crimes que ele cometeu contra o futebol”, afirmou.

Para Andrew Jennings, as investigações envolvendo pagamento de propinas referentes à Copa do Mundo de de 2014 deve ser muito mais um problema interno do Brasil, uma vez que o país não teve concorrência para receber o evento. “Não tinha competição. A investigação deve ser feita no Brasil. Está tudo cercado de corrupção”, disse o autor e jornalista, que perdeu a conta de quantos telefonemas recebeu e entrevistas concedeu ao longo de toda a quarta-feira.

Agência internacional critica governo Dilma e afirma que há “problema estrutural muito sério no País”

Em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, o diretor da agência de classificação de risco Fitch Ratings, Rafael Guedes, afirmou que “há um problema estrutural muito sério no Brasil”. O diretor, na entrevista, analisa a situação econômica do país em termos de crescimento e em comparação com outras nações, e afirma que a mudança feita pela agência na perspectiva da nota do país em abril, para negativa, refletiu a busca pelo crescimento a qualquer custo que deteriorou os números brasileiros de maneira forte e rápida.

De acordo com o “Estadão, Rafael Guedes, que participou nesta semana do evento Panorama Econômico e de Negócios do Brasil, promovido pela Americas Society/Council of the Americas e pela Amcham-Brasil, essa alteração considerou o desequilíbrio macroeconômico local, as expectativas de crescimento para o país de cerca de 2% nos próximos anos e ainda o cenário político. “A popularidade da presidente Dilma Rousseff está muito, muito baixa. Há escândalos acontecendo, e isso tem causado impacto na confiança do investidor, do empresário, do consumidor. Há aumento do desemprego, menor crescimento do crédito… Isso tudo levando a questionamentos de para onde vai a dinâmica do Brasil”, disse o diretor da agência Fitch.

A prisão dos cartolas do futebol

Em entrevista coletiva, o senador Alvaro Dias falou, nesta quarta(27), sobre a prisão dos cartolas da Fifa acusados de corrupção, na Suiça. O senador, que foi o presidente da CPI do Futebol no Senado, denunciou à época várias irregularidades no futebol e apontou crimes cometidos pelos dirigentes do futebol.

Manifestantes da “Marcha pela Liberdade” são recebidos no Congresso pelos líderes da oposição

O senador Alvaro Dias e outros parlamentares da oposição receberam, na entrada do Congresso Nacional, nessa quarta(27), os manifestantes do MBL (Movimento Brasil Livre), que realizou uma marcha saída de São Paulo em 24 de abril, percorrendo o caminho até a capital federal a pé, de carro e de ônibus. Os manifestantes da Marcha pela Liberdade pedem, entre outras coisas, o fim da corrupção e o impeachment da presidente da República.

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Manobra contábil de última hora evita que os Correios apresentem prejuízo milionário em seu balanço

Reportagem do jornal “Valor Econômico” revela que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que vive acelerada fase de deterioração financeira e operacional, para evitar fechar seu balanço no vermelho pela primeira vez em quase duas décadas, fizeram uma manobra contábil que não foi consensual. Em reunião no dia 17 de março de 2015, o conselho de administração da ECT reverteu uma bilionária provisão contábil, que servia para a eventual necessidade de cobrir novamente o rombo do fundo de pensão Postalis – já houve pagamentos durante mais de quatro anos.

Prestes a anunciar seus piores resultados desde 1995, Os Correios só não tiveram prejuízos em suas contas devido a essas mudanças contábeis de última hora. Graças às manobras, de um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão em 2012, que já havia despencado para R$ 325 milhões no exercício seguinte, a estatal manteve-se no azul por R$ 10 milhões no ano passado. Os números, aos quais o “Valor” teve acesso, serão divulgados nos próximos dias.

Más condições de rodovias aumentam custo do transporte, e com cortes do governo, situação deve piorar

Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela que “as más condições do pavimento de rodovias brasileiras elevam em 30,5%, ou R$ 3,8 bilhões, o custo operacional do transporte de soja e milho do país”. Para realizar a pesquisa, a entidade analisou as rotas de escoamento de quatro regiões produtoras: Centro-Oeste, Paraná, Rio Grande do Sul e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia), coletando dados com transportadores, embarcadores e entidades governamentais e não governamentais relacionadas ao segmento. De acordo com a CNT, o montante gasto a mais por conta das más condições das estradas corresponde ao valor de quase 4 milhões de toneladas de soja ou a 24,4% do investimento público federal em infraestrutura de transporte em 2014.

E a situação pode piorar ainda mais. Com a decisão do governo Dilma de promover cortes severos no Orçamento da União, o Ministério dos Transportes acabou sendo um dos mais afetados, com contingenciamento de 36% de seus recursos. O valor previsto no Orçamento de 2015 para custeio e investimento no setor era de R$ 15,9 bilhões, e foi reduzido para R$ 10,2 bilhões. Levantamento do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou que o ministério fez empenhos para obras em pelo menos 54 rodovias federais em 2014. Com isso, metade delas não teria recursos garantidos. Mas há outros problemas.

Em 2014, a despesa empenhada (ou seja, o que o governo se comprometeu a pagar) para custeio e investimento alcançou R$ 13,8 bilhões no setor. Com a falta de recursos no fim do ano, R$ 6 bilhões em despesas empenhadas ficaram para ser pagos em 2015, o que corresponde a mais de metade do que está liberado para gasto neste ano. Desta forma, será muito difícil para o governo manter as obras em execução. Isso porque a despesa de custeio do ministério (aluguel, passagens etc) alcançou R$ 1,3 bilhão em 2014. Se for cortada em 36%, por exemplo, ainda seria perto de R$ 1 bilhão. Com isso, restariam R$ 9 bilhões para obras. De acordo com a “Folha”, no ano passado, somente os contratos de manutenção de estradas federais somaram R$ 4,8 bilhões em empenhos. Se esses contratos forem paralisados, o resultado serão estradas ainda mais esburacadas até o fim do ano.